Assalto ao Banco Central, de 2011, é um
filme que conta a história do assalto ocorrido
ao banco central de Fortaleza, no ano de 2005, por um bando de aproximadamente seis elementos. O líder do bando, Barão, interpretado
por Milhem Cortaz, resolve elaborar o plano. Neste plano,
através de um túnel, seriam roubados mais de 164 milhões de reais. Sem alarmes, tiros ou
oposição, os bandidos executam o roubo, e dias após, momento em que todos deveriam fugir, todos literalmente se
ferram, quando o único que sai ileso e com a grana é o mentor Barão.
Mas o que isso
tem a ver com dominação feminina? Ela:
| "Carla Gouveia Klocker"- interpretada por Hermila Guedes. |
Desde o início
do filme, percebe-se sua postura altiva. A altivez feminina, característica de
mulheres dominadoras (esclarecidas ou não sobre fetiches e sobre BDSM), é
expressa na forma mais deliciosamente caricata que um filme nacional poderia
oferecer. Mesmo sendo aparentemente submissa ao seu marido (Barão), Carla aparece em cima dele nas cenas de sexo iniciais do filme, o
que não conotaria uma postura dominante por si só, se não fossem
as indiretas dadas, em uma reunião logo na cena seguinte, para um dos homens
que trabalhariam com Barão. Em uma postura dominante, tendo o cigarro como falo
em suas mãos, o poder que exalava não haveria de diminuir sua superioridade,
mesmo quando na iminente necessidade de acender seu cigarro, a mesma sem
isqueiro, pergunta a um suposto ex-afair,
na frente de seu marido – tem fogo?
| "Tem fogo?" |
Barão
entendendo o jogo, continuou o mesmo cara durão de sempre, por todo o filme, e na mais bela congruência a uma das leis básicas da
física, tendeu a se afastar de um pólo que obviamente, jamais o iria atrair. Carla com saltos e ironias, age de um modo que deixaria
qualquer submisso com as mais perversas fantasias. Talvez alguém que apesar de baunilha tenha tendências submissas, é o personagem Mineiro, interpretado por Eriberto
Leão. Mineiro era o personagem que negou o fogo a Carla logo no início, em
frente a Barão. No desenrolar do enredo, em aparentes investidas desviadas pela
nossa dominatrix e respondidas inclusive com humilhações, o rapaz não desiste.
Após o roubo, Carla diverge com Barão a respeito de como o dinheiro haveria de ser usado, e como toda boa Domme, não desiste do que
quer. Nesta divergência, para dar o troco, ou conseguir o que queria (não sei
qual das duas), Carla liga para Mineiro, que afirmou estar esperando a ligação por
dias.
- Quem disse
que eu ia ligar? [...]
- E aquele
papo de você gostar de homem que manda?
- Mudei de
idéia. Agora gosto de homem que obedece.
|
Enquanto Carla divertia-se com o novo slave Mineiro, o chefão fugia de tentativas de roubo por parte de policiais que sabiam da grana, e sem nem se importar com o telefone tocando com seu marido desesperado em fuga, nossa rainha deliciava-se com um novo brinquedo.
Contudo, apesar de todas as alegrias, o final para esse casal não foi dos melhores, e Carla acaba sendo abandonada por Barão, ficando com Mineiro até os dois serem presos e o chefe do bando fugir zombando de todos.
Seja pra ver uma Domme, pra ver esse belo filme ou pra ver o retrato no cinema acerca do segundo maior roubo a bancos da América Latina, Assalto ao Banco Central é uma ótima pedida, recomendo a todos.
Até a próxima.
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